“Um caso perdido. Esse, finalmente, sou eu. Sou uma catástrofe, uma história mal contada, uma foto mal rasgada e talvez uma poesia mal elaborada. Mesmo que eu queira, não tenho uma definição por completa, sempre sou pelas metades, sem um ponto final ou de exclamação. Sou, quem sabe, uma interrogação. Sou uma folha seca em meio à primavera, uma xícara rachada em pleno café da tarde, a rosa despedaçada, a violeta sem vida, a vidraça quebrada. Sou um amedrontado por escuridão.
“Julieta: Esqueci-me do que tinha a dizer.
Romeu: Deixa que eu fique parado aqui, até que te recordes.
Julieta: Esquecê-lo-ia, só para que sempre ficasses aí parado, recordando-me de como adoro tua companhia.
—
William Shakespeare, Romeu e Julieta (via
60milanos)
“Sinto-me incompetente por não amar alguém! Por não suspirar profundamente ao ouvir ‘aquela’ música na rádio, ou ate mesmo por não estar em completa harmonia com o mundo todo. Nunca entendi ao certo essa fase que todos passam de escrever o nome do amado na última folha de seu caderno. Por quê diabos na última? Ao final da matemática da vida você vai somar suas vidas? Ou depois de tanta gramática fará o futuro-mais-que-perfeito? Não faz sentido! Não para mim. Mas levarei em conta que coisas românticas não fazem sentido algum para mim. Não quero dizer-te que se apaixonar é uma coisa ruim. Não sei se é. Nunca amei, entende? Escrevo sobre um amor idealizado que nunca consegui sentir. Não sei o que é o arrepio do toque daquele por quem és apaixonado, não sei como é provar lábios que realmente esperou para ter. Não entendo sobre amor, confesso! Sou apaixonada pelo céu e pelas palavras, mas não consigo amar alguém como todo mundo. O que de certa forma pode ser bom. Mas não é, caro amigo. Eu quero escrever um nome em meu caderno, não apenas na última folha mas sim em todas, eu quero saber o que é o arrepio de um beijo esperado, e as borboletas soltas no estômago depois de um primeiro “eu te amo”. Eu quero a ilusão de estar apaixonada. Mas enquanto eu não souber amar, nada posso receber. Sairei andando pelos cantos com uma placa escrita “aceita-se amor” e será que assim aprenderei a amar?
“Eu não tenho estrutura emocional pra existir.